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Depoimento Dr Ricardo-Médico linha de frente enfrentamento COVID-19

“Está sendo difícil, é difícil ver o mundo ao seu redor parar, você ver o medo nos olhos das pessoas. O medo real de morrer, o medo e uma culpa de poder levar e contaminar alguém na sua família- tudo isso nos faz sentir muito medo.

No meu trabalho, no dia a dia, eu trabalho em três emergências, dois hospitais privados e um público. Elas estão mais vazias, porque as pessoas estão com um certo medo de freqüentar os hospitais, então só vão em caso de extrema necessidade. A dificuldade que a gente está tendo de uma forma geral é a falta de testes para todo mundo. O que a gente acaba fazendo é só testando os pacientes graves e isso nos dá bastante receio , de tudo isso que a gente está vendo ser bem maior, porque não é todo mundo e nem a grande maioria que está sendo testado, ou seja, somente estão sendo testado os casos realmente suspeitos ou graves.

Quanto ao trabalho dos Médicos de Rua, nós estamos sendo impedidos- na verdade dnão é crítica, sabemos que é pra não causar aglomeração- de fazer as ações da forma que a gente está acostumado. Este ano o que conseguimos fazer foi nos juntar com outros grupos e levar comida e ajudar de alguma maneira.

Depois o medo do que está por vir, você vendo pessoas envolta da gente, por exemplo; o número de pacientes da saúde mental que estão tendo problemas, ou seja, que estão isoladas, sozinhas, que não tem família, que não tem apoio ou as que já tem problema de depressão . E tudo isso, o isolamento, vai fazer aumentar os casos de suicídio. Isso é grave, muito grave.

O governo, de uma forma geral, até certa forma está conseguindo conter a população, exigindo máscara. Porém a população não está com o medo que deveria, ou seja, ainda há muitas aglomerações, muita gente na rua, levando a vida numa boa, como se nada estivesse acontecendo. Isto é grave, perigoso.

Esse é o momento de solidariedade, momento de saber se seu vizinho está desempregado, de oferecer ajuda. Se você é dono de um apartamento e ele está alugado, de repente baixar o valor do aluguel, pro teu inquilino ou contrário . Dividir comida, se oferecer para pagar as contas se você tiver condições. Eu acho que o mundo vai melhorar- eu espero. As pessoas vão sentir onde que está o real valor das coisas, e não só nas coisas. São nas pessoas que nos cercam, nos bichinhos que estão na natureza.

Vamos continuar trabalhando , fazendo nosso melhor. E se perguntar todo dia o que eu fiz hoje pra tentar melhorar tudo isso.

Eu evitei de levar a mão na boca, no botão do elevador. Ou, se fiz, passei álcool gel, paguei metade do salário da minha diarista que está dispensada, e eu era única fonte de renda dela. Do meu personal, da minha manicure,etc.

A gente tem que se perguntar ,porque no final todo mundo está na mesma né?”